
Eras uma vez um estranho, numa cidade desconhecida. Tinhas um modo único de seduzir, que é o modo de quem não o tenta fazer e não pensa sequer no assunto, fatalmente certeiro. Agora, tenho saudades de (tentar) sair discretamente do teu quarto, quando já de manhã, de sapatos na mão e desgrenhada. Do teu sorriso como quem diz: “és mesmo tonta” e o meu sorriso de “tem de ser assim”. De me levares à porta, das tuas despedidas demoradas, da tua insistência para que ficasse. Sempre de manhã. Tu, que nunca viste problema nenhum em nada, a tua condição era de privilégio absoluto, sobre tudo e sobre todos. Sei de cor a marginal no Verão, de me perguntar se estaria a enlouquecer de todas as vezes em que não te disse: “A nossa história acabou hoje…”. Foi sempre bom demais e eu nunca fui capaz. Só depois…e a história acabou, mas mais tarde e com mais estragos. Pensar, em ti, todos os dias, cansa. Está na hora de escolher o meu melhor vestido, calçar os sapatos mais altos e bater com a porta, mas continuas por cá, a fazer o quê, não sei…
1 comment:
:)gostei tanto
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